Dizem que quando a gente está olhando, ele nunca toca. Mas já tentei esquece-lo no bolso, ou em cima da mesa, fora do meu campo de visão, com a tela virada para baixo. Não funciona. Não tem nada a ver com a visão, pois ele sabe que é observado além dos meus olhos. Sabe que minha atenção está toda nele, seja com a mão pousada em cima, ou no ouvido totalmente concentrado em seu toque.
É como meu pai falava do leite: O tempo de fervura do leite é de uma olhada para o lado. A desatenção é o que faz transbordar da leiteira. Não o relógio. Não são 5,10 nem 30 minutos, é só uma piscada, um momento de desconcentração.
Mas hoje, essa analogia não faz sentido, pois ninguém ferve mais o leite. É capaz dessa geração, que não sabe o que é um tubo de TV, nem saiba porque se fervia o leite. Assim como eu não sabia o que era uma válvula de TV. Os tempos são outros.
Hoje a grande preocupação é se o sinal de do celular está bom. Assim, recebo mensagens, leio e-mails, e ele pode receber as chamadas. Assim ele pode tocar normalmente. Pois é o toque que anseio! Eu o prevejo, pressinto e ele não vem.
Pego o celular, checo, busco uma chamada perdida, ou mensagem não lida e nada. Verifico a rede, desligo e religo. Pode ser um bug do sistema operacional.
Mas o fato é que ele não toca. Pior. Ela não ligou.
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