segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cervejas Possíveis III

Gostosa. Negra gostosa! Que me encanta, com esse corpinho, tão leve, que marca presença. Que se destaca de todas as outras.

Podem imitar teu jeito, tua pele, mas não imitam tua essência, teu sabor. Tem jeito de forte, tem gosto de fácil. Marcante, desde o primeiro olhar, até o ultimo beijo.

Tu é única. Tu é dunkel.

sábado, 23 de outubro de 2010

O fim

- Vai embora!

- Mas você não vai me ouvir? Não vai me deixar explicar?

- Vai embora!

- Você ta sendo um babaca! Olha pra mim, me escuta!

- Cala a boca e vai embora!

- Até ontem você dizia que me amava. E agora não quer nem me escutar? O que houve?

- O que houve? Eu devia te perguntar isso! Mas não quero saber! Você fez cagada, jogou tudo fora! Agora foda-se...some daqui.

- Não foi assim! Eu te amo!

- Cala a boca!

- Não posso! Não vou me calar, nem vou sair daqui sem você. Eu sempre estive do seu lado. Mudei minha vida toda pra ficar contigo. Aturei todas as merdas que você fez por três anos. Agora é a sua vez.

- Não fode! Nunca te traí!

- Nem eu!

- Caralho?! Então eu to maluco? Você vem com cara de idiota, me diz que trepou com outro cara e agora vem com essa? De que nunca me traiu?

- Não foi assim! Porra, me escuta?

- Chega! Vai embora!

- Mas que merda! Larguei tudo pra ficar contigo. Larguei minha família, meus amigos. Mudei minha vida toda! E agora você fecha a porta pra mim?

- Pede pro babaca, que te comeu, abrir a porta pra você.

- Para de falar isso... Não foi assim que aconteceu.

- Não foi? Então como foi? Você tava dormindo e acordou com o cara em cima de você?

- Eu sei que fiz merda. Eu sei! Mas não te traí. Não tem nada a ver... Era carência de sexo. Foi só isso. Não tem nada a ver com o que sinto por você. Nunca deixei de te amar. E mesmo você sendo um babaca teimoso, ainda te amo.

- Carência de sexo? Porra, uma semana fora e tu fica assim?

- Uma semana que você estava fora viajando. Fora as outras semanas que você chega tarde, cansado e nem um carinho faz!

- Chego tarde e cansado sim! Porque trabalho pra cacete e pagar nossas contas. Porque a vodca e o uísque que você bebe são caros pra caralho! Se você estivesse mais tempo sóbrio, ia perceber.

- Tava demorando, pra jogar isso na minha cara! Mas quer saber? É foda mesmo ficar em casa o dia inteiro sozinho. Esperando um namorado que não quer transar contigo.

- Pronto! Achou a fórmula mágica. Enche a cara, e fode com o primeiro que aparecer.

- Eu tava bêbado mesmo. Tava triste por não ter você do me lado. Tava precisando transar. Talvez se não estivesse bêbado não teria feito, mas fiz. Foi coisa de momento. Só sexo. Pelo momento. Morreu ali mesmo, onde começou. Não sei quem era, nem quero saber, pois é você quem eu amo. É com você que quero ficar. Será que você não entende? Nunca comeu alguém só por comer? Você também é homem!

- Sou homem! Mas pelo visto, muito diferente de você. Pra mim só existia você. Agora não existe mais nada! Nem você, nem porra nenhuma! Sai daqui e leva sua teoria de homenzinho!

- Eu te amo!

- Eu te amava...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O show

Já nem sabia mais quanto tempo estava ali. Tinha bebido mais do que eu pensava em beber, mas o tempo não passava, e a ansiedade também não. Ficava esperando. Num canto. Tenso. Esperando a minha vez.

Afinava o baixo. Tocava, desplugado, as mesmas músicas que tocava sempre. Tenso. Afinava e desafinava o instrumento. Levanto e pego mais outra cerveja. Até que o técnico avisa “vai, é a vez de vocês”.

Finalmente! Depois de meses enfurnados num estúdio. Depois de inúmeras discussões. Depois de inúmeros ensaios. De repetir a mesma música seguidamente. Depois de não agüentar mais o que eu toco, vou finalmente “passar o som”. Vou oficialmente tocar!

E pra todos aqueles que convenci em nos assistir. Que convenci de que a música era boa. Chegou a vez de provar!

Subi. Tonto. Nervoso. Ansioso.

Subi orgulhoso! Com uma pressão no peito, que eu tinha certeza que era rock’n’roll. Pluguei meu Condor BX-12 um Mesa Boogie, que tinha muito mais som, do que eu tinha pra mostrar. Me perdi.

Não conhecia mais o som que eu fazia. A tensão aumentou. E quando os amigos e não amigos aglomeraram-se na frente do palco, o coração disparou. “Não quero mais!”.

O técnico gritou “vocês começam.,.vai!”.

1, 2, 3, 4...

A bateria marcou, entrei muito mais acelerado. Muito mais agudo. Foda-se! Não controlava mais. Fiz o que sabia. O que ensaiava, e achei foda!

Naquele momento. Naquele palco eu era insuperável. Pouco importa os acordes perdidos. O tempo errado. Naquele momento, eu era um rockstar. E vendo as pessoas na frente do palco, tinha certeza disso.

Elas ouviam o que eu pensava estar tocando. Elas sentiam o que eu achava que passava. E ouvindo, ou não, sentindo, ou não, eles estavam comigo!

...so, let it rock...