segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vislumbre

Tinha tudo a perder. Sentado na mesma mesa que sentava todos os dias. Cercado pelas mesmas pessoas que via todos os dias. Nauseado pela rotina.

Não conseguia mais produzir. Não se importava mais em produzir. Não queria mais. Então passou a ser consumido.

E não se importou quando foi extraído dali. Mas quase nada mudou. Não havia mais rotina, e não havia mais por quê. Não havia por quem. Não havia por onde. Mas isso também o consumiu.

Então fugiu.

Abandonou os móveis. Deu as costas para o concreto, e seguiu pelo asfalto. Até não haver mais asfalto, e foi além.

Fez da terra, da grama e das pedras, o seu caminho. Sentiu-se em um novo lugar. Não sentia mais falta do que havia perdido, nem do que tinha abandonado. Já não sentia mais nada.

Chegou até o limite do caminho. Sentado só, a beira da pedra, observou. Depois de anos, reabriu os olhos. Viu possibilidades, viu liberdade e viu o fim.

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