sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O outro dia

Insone. Passavam das 3h da madrugada, e seus olhos ainda estavam abertos. Pensando, sonhando, rezando. Torcia pelo amanhã, sem saber qual seria. Numa espera perturbadora. Como quem aguarda o final de um livro de mistério ou um policial.
Talvez não haja nada mais perturbador, do que saber que o amanhã chegará. E ele irá! Você sabe, eu sei e ele também.

Só não se sabe como será. Que cara terá o amanhã. Porque pra trás, ficou uma vida. Naquela manhã encerrou-se um ponto. Fechou-se, como a uma caixa, uma era. Despediu-se dos rostos familiares, as coisas que tinha. E com alivio, deu as costas para sua breve história.

Os ponteiros correram, e no girar do relógio, o ponto final virou o de partida. Rompeu a rotina, mas sem saber o que viria. E com a certeza de que algo aconteceria.

Os sons da noite lhe chamavam, vultos rondavam seu quarto. Só o sono não aparecia. Tudo instigava o pensamento, e sua mente se perdia. Fazia planos. Desfazia. Rolava de um lado para o outro. Até que a noite virou dia.

O Sol tomou conta do quarto. Olhou o espelho, lavou os olhos para despertar. Lavou mais uma vez, e outras tantas mais. Ligou o barbeador, percorrendo o rosto, limpando a aparência cansada. Olhou o espelho, e se viu como sempre. Religou o barbeador, e percorreu a cabeça. Livrando-se dos ralos fios que sempre cultivou. Deixando pelo chão.

Olhou-se no espelho. Não entendeu o que viu. Talvez não fosse ele.

Olhou os fios no chão. Pensou “talvez não fosse eu”.

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