Já nem sabia mais quanto tempo estava ali. Tinha bebido mais do que eu pensava em beber, mas o tempo não passava, e a ansiedade também não. Ficava esperando. Num canto. Tenso. Esperando a minha vez.
Afinava o baixo. Tocava, desplugado, as mesmas músicas que tocava sempre. Tenso. Afinava e desafinava o instrumento. Levanto e pego mais outra cerveja. Até que o técnico avisa “vai, é a vez de vocês”.
Finalmente! Depois de meses enfurnados num estúdio. Depois de inúmeras discussões. Depois de inúmeros ensaios. De repetir a mesma música seguidamente. Depois de não agüentar mais o que eu toco, vou finalmente “passar o som”. Vou oficialmente tocar!
E pra todos aqueles que convenci em nos assistir. Que convenci de que a música era boa. Chegou a vez de provar!
Subi. Tonto. Nervoso. Ansioso.
Subi orgulhoso! Com uma pressão no peito, que eu tinha certeza que era rock’n’roll. Pluguei meu Condor BX-12 um Mesa Boogie, que tinha muito mais som, do que eu tinha pra mostrar. Me perdi.
Não conhecia mais o som que eu fazia. A tensão aumentou. E quando os amigos e não amigos aglomeraram-se na frente do palco, o coração disparou. “Não quero mais!”.
O técnico gritou “vocês começam.,.vai!”.
1, 2, 3, 4...
A bateria marcou, entrei muito mais acelerado. Muito mais agudo. Foda-se! Não controlava mais. Fiz o que sabia. O que ensaiava, e achei foda!
Naquele momento. Naquele palco eu era insuperável. Pouco importa os acordes perdidos. O tempo errado. Naquele momento, eu era um rockstar. E vendo as pessoas na frente do palco, tinha certeza disso.
Elas ouviam o que eu pensava estar tocando. Elas sentiam o que eu achava que passava. E ouvindo, ou não, sentindo, ou não, eles estavam comigo!
...so, let it rock...
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